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Desabafos Mudos

Desabafos Mudos

26/10/15

a propósito da redação do ENEM

 

Lembro-me de no ano passado, à noite, eu e mais três primas percorrermos as ruas do centro de Guarulhos à noite juntas. Estava de braço dado com a minha prima seis anos mais nova e passou um grupo de rapazes a chamarem-nos lésbicas e a dizerem um monte de outras coisas que não me ficaram na cabeça (até porque nem valia a pena). E eu, num impulso se formos a ver estúpido, virei-me e dei-lhe um mega beijo na cara e continuamos.


Depois lembrei-me que estava no Brasil, mais um bocado e levava um enxerto de porrada. Há quem tenha levado por menos.

 

14/09/13

eu cá tenho os pés bem assentes...

Hoje, a caminho de uma mercearia, não gostei nada do aspecto de uns rapazes ('gândulos' pensei logo) que estavam sentados ao pé de umas escadas que dava para as traseiras de uns prédios, um atalho para o nosso destino. Disse logo à minha mãe que ali não passava eu, foi um pressentimento, e até costumo tentar lutar contra esse medo. Mas meter-me naquele beco com aqueles dois ali, e outros que estivessem com eles, eu não me metia. 'Ah, eles não fazem nada. Se mostrares medo é pior', disse logo. Não fazem até ao dia... respondi. E se naquele momento podia disfarçar bem e ir por outro caminho, foi logo o que fiz.


 


Já na mercearia, estavamos nós sossegadas. Quando começam as pessoas a ir para a porta para ver o que se passava na rua. Aparece ali um homem todo esbaforido, desorientado, a escorrer sangue pelos cotovelos, t-shirt rasgada, coberto de pó e a cabeça rachada. 'Levaram-me o telemóvel, o portátil e os documentos todos. Fiquei sem nada!'. Eram quatro. O primeiro aproximou-se e depois fez sinal aos outros que se tinham escondido.


 


E eu ali, petrificada a olhar para ele, como se tivesse acabado de ser comigo, a relembrar o sabor amargo daquele sentimento de vulnerabilidade de me assolou uma vez mais. Já fui assaltada três vezes, só numa é que me tentaram bater. Do que me valeram os gritos. Ainda ssim, não consigo evitar tremer de cada vez que vejo alguém com mau aspecto. Só ou acompanhada. Eles quando querem, fazem o que querem. E nós, que andamos a lutar por cada bocadinho que conseguimos ter, não pudemos fazer nada a não ser abrir a mala... quando não caem logo em cima de nós de punhos cerrados.


 


Disse uma senhora lá dentro connosco, 'em plena luz do dia, é inacreditável'. Oh minha senhora, em que mundo vive?


Picoult, 25 anos, a espetar com tudo para aqui desde 2009.

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Picoult, 25 anos, a espetar com tudo para aqui desde 2009.
Curiosa na multimédia, gosta de fotografia, apaixonada por gatos e já foi viciada em escrita.